lembranças daquele futuro imaginado
Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Eu.
Sou mulher. Uso all star quase diariamente. Tenho uma coleção de scarpins também. Me maquio pra sair. Gosto de jeans e camiseta. Gosto de estampas diferentes. Uso pouca roupa social. Gosto de bolinhas e listras, às vezes arrisco no xadrez. Faço as unhas quase toda semana e tento mantê-las bonitas. Passo minhas camisetinhas. Ouço músicas e canto-as no chuveiro. Gosto de rock, mpb, samba, maracatu, rap, reggae e pop. Danço ao som de Madonna, Michael Jackson, Beyoncé e toda e qualquer música que me dê comichão. Tenho sonhos, planos, vontades. Ainda terei uma gata. Ainda terei mais tatuagens. E um piercing. Passo desodorante sem cheiro pra não estragar o cheiro do perfume. Adoro perfumes. Tenho convicções de fé que vão além das religiões. Tenho coração mole, choro fácil, me emociono com tudo. Amo cachorros. Amo animais. Isso não significa que sou vegetariana. Sou calma, embora exploda em sitiações adversas. Bebo cerveja, água, Coca-Cola, Sprite. Não tenho estômago pra Vodka e afins. Gosto de Tequila, mas raramente bebo, por conta do estômago. Tenho um coração grande pra caralho e falo muitos palavrões. Amo o centro de São Paulo. Amo a cidade de São Paulo. Adoro viajar, embora não curta muito praia. A areia me dá aflição. Gosto de bíquini com a parte de baixo grande. Tenho uma família linda e cachorros que parecem gente. Minhas avós são descendentes de italianos, daí meu sobrenome. Já briguei na época da escola pra defender amigos e minha irmã. Se eu amo, eu defendo. Sou intensa, não sei viver na superfície. Se não há mergulho, não me vejo entregue. Amo uma pessoa. Uma pessoa que se parece comigo. No corpo, no modo de falar, nos gostos musicais. No time. Sou corinthiana e amo uma corinthiana. Sou homossexual. Sou diferente, sou igual. E não entendo, mesmo, os olhares pelas ruas. Não entendo a sua rejeição, o seu ódio, a sua raiva. Nunca vou entender.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Passado-presente
Olhou a seu redor pra ver se ninguém espiava o que ele fazia. Tremia lembrando do que havia passado nesses anos sem notícias e, de repente, aparece ali, na tela do seu computador, com uma solicitação fofa, dizendo: "acho que podemos voltar a nos falar, não?". Mentalmente ele respondia bradando: "Não, não podemos!". Mas no fundo, ele queria dizer tudo aquilo que ficara engasgado quando o ir embora tornou-se um ato comum, como andar. Ir embora, nesse caso, não precisou nem de um adeus. Apenas o telefone desligado, os e-mails não respondidos e os presentes nunca entregados.
Nesses anos todos, foram uns cinco, seis, ele jamais imaginou que um dia veria novamente aquele sorriso, mesmo que fosse através de uma tela. Ficava se achando o cara masi infantil do mundo. O tempo havia passado, muitas histórias aconteceram na sua vida, mas essa não passou. E em todos esses anos, ele nunca soube que não passou, soube apenas ali, quando recebeu aquele oi escrito em uma tela branca.
Foi cerca de uma semana até achar que poderia voltar a ter contato. Porque não? Tinha curiosidade em saber os caminhos que Alexandre seguiu, as coisas pelas quais ele passou. Alexandre sempre foi interessante. Interessantíssimo, aliás. E agora se tornou um homem, cheio de tatuagens (na época havia apenas uma e outra nos planos), formado em jornalismo, exercendo da melhor forma a sua profissão. E ele ali, estagnado, na sua vidinha... Na sua vidinha que parou, deu-se conta, no momento em que Alexandre deixou de atendê-lo. Ele mal sabe contar quantas vezes esteve com Alexandre. Mal sabe dizer o que houve entre eles. O que ele sabe é que jamais tiveram uma relação, mas ele se apaixonou. Naqueles poucos beijos, naquelas poucas noites e tardes e conversas e... "É, não foi pouco.".
Um sorriso brotou em seus lábios e deu-se conta de que ele realmente quer Alexandre por perto. Seja como for.
Nesses anos todos, foram uns cinco, seis, ele jamais imaginou que um dia veria novamente aquele sorriso, mesmo que fosse através de uma tela. Ficava se achando o cara masi infantil do mundo. O tempo havia passado, muitas histórias aconteceram na sua vida, mas essa não passou. E em todos esses anos, ele nunca soube que não passou, soube apenas ali, quando recebeu aquele oi escrito em uma tela branca.
Foi cerca de uma semana até achar que poderia voltar a ter contato. Porque não? Tinha curiosidade em saber os caminhos que Alexandre seguiu, as coisas pelas quais ele passou. Alexandre sempre foi interessante. Interessantíssimo, aliás. E agora se tornou um homem, cheio de tatuagens (na época havia apenas uma e outra nos planos), formado em jornalismo, exercendo da melhor forma a sua profissão. E ele ali, estagnado, na sua vidinha... Na sua vidinha que parou, deu-se conta, no momento em que Alexandre deixou de atendê-lo. Ele mal sabe contar quantas vezes esteve com Alexandre. Mal sabe dizer o que houve entre eles. O que ele sabe é que jamais tiveram uma relação, mas ele se apaixonou. Naqueles poucos beijos, naquelas poucas noites e tardes e conversas e... "É, não foi pouco.".
Um sorriso brotou em seus lábios e deu-se conta de que ele realmente quer Alexandre por perto. Seja como for.
sexta-feira, 18 de março de 2011
Do sonho da adolescência e/ou Uma estrela cadente!
- Eu vi! Eu vi! Olha lá!
Todos olharam, mas já tinha passado. Só eu havia visto. Como um presente só meu. Como a realização de uma utopia, de uma viagem minha, aconteceu.
O céu azul escuro, cheio de pequenos pontos prateados, acabara de cuspir um deles só para mim. O céu me sorria e fazia-me gargalhar como num gozo adolescente; um êxtase tomava conta de todo o meu corpo: olhos sorrindo num silêncio úmido de lágrimas contidas, os poros saltando e suando frias gotas de emoção.
"Um pedido!" - pensei- "Tenho de fazer um pedido!" e foquei no mais belo dos pedidos. Desejei do fundo do peito um algo a mais tão diferente das coisas que desejava nas madrugadas dos anos 90, quando saía à janela esperando que a imensidão azul atendesse aos meus anseios.
E então, ali, onde todos olhavam com espanto meu sorriso infanto-juvenil, o que eu tanto esperei aconteceu. Só para mim.
Todos olharam, mas já tinha passado. Só eu havia visto. Como um presente só meu. Como a realização de uma utopia, de uma viagem minha, aconteceu.
O céu azul escuro, cheio de pequenos pontos prateados, acabara de cuspir um deles só para mim. O céu me sorria e fazia-me gargalhar como num gozo adolescente; um êxtase tomava conta de todo o meu corpo: olhos sorrindo num silêncio úmido de lágrimas contidas, os poros saltando e suando frias gotas de emoção.
"Um pedido!" - pensei- "Tenho de fazer um pedido!" e foquei no mais belo dos pedidos. Desejei do fundo do peito um algo a mais tão diferente das coisas que desejava nas madrugadas dos anos 90, quando saía à janela esperando que a imensidão azul atendesse aos meus anseios.
E então, ali, onde todos olhavam com espanto meu sorriso infanto-juvenil, o que eu tanto esperei aconteceu. Só para mim.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
*
Olha, eu sou forte mesmo tá, nego? Já tive todo tipo de homem na minha cama. Loiro, mulato, branquelo, japa, ruivo, sarado, gordinho, peludo, depilado, grande, feio, ator, músico, cozinheiro, cobrador de ônibus, roqueiro, do axé, pagodeiro, cantor de funk, sonhador, romantico, escritor, de olhos claros. Já tive tudo isso e mais de uma vez até.
Então, não pense que você não me mandar um sms sequer vai me abater. Não pense que eu vou ficar olhando pro celular a cada 3 segundos esperando uma ligação que não vem. Não pense que seus braços e seus abraços que me fazem sentir tão protegida são diferentes dos tantos outros que tive. E não pense que estou apaixonada por você. Não... Eu não... Eu sou do tipo que não se apega, que não se deixa ver chorando.
Vem logo, então. Sem que eu precise me mostrar com os olhos marejados e carentes à sua porta?
*Inspirado em algumas queridas que precisam deixar de querer ser fortes e ser humanas, mulheres, delicadas e doces.
Então, não pense que você não me mandar um sms sequer vai me abater. Não pense que eu vou ficar olhando pro celular a cada 3 segundos esperando uma ligação que não vem. Não pense que seus braços e seus abraços que me fazem sentir tão protegida são diferentes dos tantos outros que tive. E não pense que estou apaixonada por você. Não... Eu não... Eu sou do tipo que não se apega, que não se deixa ver chorando.
Vem logo, então. Sem que eu precise me mostrar com os olhos marejados e carentes à sua porta?
*Inspirado em algumas queridas que precisam deixar de querer ser fortes e ser humanas, mulheres, delicadas e doces.
sábado, 5 de junho de 2010
Sobre o arco-íris ou as desculpas

"A Parada perdeu o sentido." "Não tem mais graça Parada Gay, é só pegação."
Se eu ouvisse isso de bocas de pessoas de quarenta e poucos anos, olha... Eu até concordaria, porque já foi-se o tempo em que a Parada Gay tinha um real sentido, uma luta. Mas qual o problema em ter se 'transmutado' pra pegação, pra flertação, pra jogação?
Queremos igualdade, não é? E beijar um monte de gente, flertar com outras tantas, é exatamente o mesmo que os héteros fazem em carnavais de rua, micaretas, raves. O problema é ouvir, mesmo fazendo a mesma coisas que os héteros, que somos promíscuos. Infelizmente, isso não será mudado do dia pra noite.
Me atingem algumas palavras, alguns gestos, ser associada a coisas nas quais eu não acredito. Mas um dia, uma hora, isso muda. E essa igualdade que temos que querer. Seja beijar gente pra caramba na Parada Gay, seja em sentar à mesa de um restaurante e poder acariciar seu companheiro sem sem recriminado ou discriminado por palavras ou olhares.
Então... a Parada é amanhã. Hora de apoiar os amigos beijadores, hora de reverenciar as drag queens, as travestis, hora de encontrar as sapas recém saídas do armário.
Hora de nos divertimos com cores, amores, sabores.
E o arco-íris nos espera.
Se eu ouvisse isso de bocas de pessoas de quarenta e poucos anos, olha... Eu até concordaria, porque já foi-se o tempo em que a Parada Gay tinha um real sentido, uma luta. Mas qual o problema em ter se 'transmutado' pra pegação, pra flertação, pra jogação?
Queremos igualdade, não é? E beijar um monte de gente, flertar com outras tantas, é exatamente o mesmo que os héteros fazem em carnavais de rua, micaretas, raves. O problema é ouvir, mesmo fazendo a mesma coisas que os héteros, que somos promíscuos. Infelizmente, isso não será mudado do dia pra noite.
Me atingem algumas palavras, alguns gestos, ser associada a coisas nas quais eu não acredito. Mas um dia, uma hora, isso muda. E essa igualdade que temos que querer. Seja beijar gente pra caramba na Parada Gay, seja em sentar à mesa de um restaurante e poder acariciar seu companheiro sem sem recriminado ou discriminado por palavras ou olhares.
Então... a Parada é amanhã. Hora de apoiar os amigos beijadores, hora de reverenciar as drag queens, as travestis, hora de encontrar as sapas recém saídas do armário.
Hora de nos divertimos com cores, amores, sabores.
E o arco-íris nos espera.
Ah! E não é apenas Parada Gay. É a Parada do Orgulho Gay.
Vamos nos orgulhar de sermos quem somos.
"Somewhere over the rainbow,
Skies are blue.
And the dreams that you dare to dream
Really do come true."
"Somewhere over the rainbow,
Skies are blue.
And the dreams that you dare to dream
Really do come true."
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Porque hoje... Hoje não quero dormir sem que seus braços me envolvam e me tomem do seu jeito mais fofo e doce. Não quero ir deitar sem antes ouvir da sua boca aquele 'boa noite' quase sussurrado que faz meu coração acelerar e me faz ter a certeza de que sim, será uma boa noite. Não quero levantar-me dessa cadeira sabendo que amanhã cedo, terei de me contentar com sua voz do outro lado da linha. Hoje não. Hoje quero presença, contato, suor, delírios, boca, língua, beijo, toque, eu-você.
Hoje não quero saber dos compromissos de amanhã. Do acordar cedo, do trabalhar, do chefe e de todo aquele blablabla. Deixemos tudo isso pra outro dia. Hoje, vem? Vem aqui e me faz sorrir e quase não conseguir dormir ao olhar seus olhos que lacrimejam enquanto me observam num semi-sono delicioso e cheio de cheiro seu. Vem aqui e me deixa com sorriso no rosto o resto do dia. Sorriso que escorre pelos cantos dos lábios e transborda pelos poros.
Hoje as palavras me doem no fundo, pedindo pra sair através de todos os buracos que possuo pra ver se você vem e atende a essa súplica do meu corpo pelo seu, da minha alma pela sua. Da minha vida.
Só hoje. Vem?
Hoje não quero saber dos compromissos de amanhã. Do acordar cedo, do trabalhar, do chefe e de todo aquele blablabla. Deixemos tudo isso pra outro dia. Hoje, vem? Vem aqui e me faz sorrir e quase não conseguir dormir ao olhar seus olhos que lacrimejam enquanto me observam num semi-sono delicioso e cheio de cheiro seu. Vem aqui e me deixa com sorriso no rosto o resto do dia. Sorriso que escorre pelos cantos dos lábios e transborda pelos poros.
Hoje as palavras me doem no fundo, pedindo pra sair através de todos os buracos que possuo pra ver se você vem e atende a essa súplica do meu corpo pelo seu, da minha alma pela sua. Da minha vida.
Só hoje. Vem?
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Pimenteira...
Retorno ao blog tentando tirar os maus olhados.As novidades? Não tantas como eu gostaria, mas a mais feliz... Estou noiva. É, n-o-i-v-a. Aliança de ouro, chororô da galera... Coisas assim. E por isso a pimenteira lá em cima. Pé-de-pato-mangalô-três-veiz. Quero zóio gordo no maior amor da vida, não.
Volto aqui, com um ar um tanto mais leve. Um tanto, não... muito mais leve. Os sorrisos, agora são uma contante em minha vida. Tudo por culpa dela. E é a culpada mais linda desse mundo. Ela tem toda a culpa por eu estar feliz hoje, toda a culpa pelo brilho no meu olhar, toda a culpa é dela.
É, ando amando mais do que nunca... Ando sorrindo, ando feliz, ando até de aliança de ouro agora!
E tudo por culpa dela... ou graças à ela. Não sei. Só sei que sem ela, agora, sou zero à esquerda.
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